Mudando a rotina de treinos durante o tratamento

Movimento
03 de Fevereiro, 2026
Fernanda Munhoz Pagotto
Revisado por
Nutricionista e Profissional de Educação Física • CRN 51666 | CREF 145110-G/SP
Mudando a rotina de treinos durante o tratamento

Se você já tem uma rotina de treinos e iniciou o tratamento com medicação para obesidade e/ou diabetes, é natural surgir a dúvida: o que muda agora? 

O corpo responde de forma diferente, a energia pode variar e alguns ajustes passam a ser necessários. 

Entender essas mudanças é essencial para seguir se exercitando com segurança, evitando sobrecargas e cuidando da sua saúde ao longo do processo.

Priorize o treino de força

Durante o tratamento com canetas injetáveis, a redução de peso pode acontecer de forma acelerada. 

Sem o estímulo adequado, parte dessa perda pode envolver massa muscular e até impactar na densidade óssea — indicador essencial da resistência e saúde dos ossos. Por isso, o treinamento de força deve ser prioridade na rotina.

As recomendações apontam para a prática de exercícios resistidos, como musculação ou treinos com peso corporal, pelo menos três vezes por semana. Esse tipo de treino ajuda a manter as funções básicas usadas no dia a dia, preservar músculos e reduzir o risco de perda óssea.

Combine com exercícios aeróbicos

O exercício aeróbico continua sendo um aliado importante. Ele contribui para a saúde cardiovascular e melhora a sensibilidade à insulina, complementando os efeitos do tratamento.

O volume indicado é de, no mínimo, 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada. Caminhada acelerada, bicicleta ou aulas coletivas podem fazer parte da rotina, desde que respeitem o nível de energia e a adaptação individual ao tratamento.

Ajuste o treino aos sinais do corpo

Efeitos gastrointestinais, como náuseas, constipação ou redução do apetite, podem surgir principalmente no início ou após ajustes de dose. Esses sinais influenciam diretamente o desempenho nos treinos.

Manter uma boa hidratação antes e durante a atividade física é essencial. Além disso, caso a ingestão de alimentos esteja reduzida, distribuir pequenas refeições ao longo do dia e priorizar proteínas podem ajudar a manter a energia e evitar sensação de fraqueza durante o exercício.

Acompanhe e evolua com cuidado

A rotina de treinos não deve ser estática. Avaliações regulares ajudam a garantir que a perda de peso esteja concentrada principalmente na gordura corporal. Ferramentas como bioimpedância ou exames mais específicos podem auxiliar nesse acompanhamento.

Manter uma rotina de exercícios estruturada durante o tratamento também favorece resultados mais sustentáveis no longo prazo, contribuindo para a manutenção do peso, da massa muscular e da saúde geral mesmo após o término do uso da medicação.

 

O apoio profissional é indispensável para tirar dúvidas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por um especialista para uma avaliação completa e personalizada.

Referências bibliográficas

MOZAFFARIAN, Dariush et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 121, n. 6, p. 1234-1256, 2025. Disponível em: https://ajcn.nutrition.org/. DOI: https://doi.org/10.1016/j.ajcnut.2025.04.023.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia de atividade física para a população brasileira [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. 54 p. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atividade_fisica_populacao_brasileira.pdf. 

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