O sono é um processo natural e essencial para o corpo – afinal, sem ele, não sobrevivemos. Durante as fases do sono, há uma intensa redução da consciência e das atividades corporais, o que permite que o organismo exerça diversas funções restauradoras, como reparo de tecidos, crescimento muscular e síntese de proteínas.
Além disso, ao dormirmos, a nossa memória é preservada. Afinal, as lembranças se consolidam durante o descanso à noite. Até recentemente, os cientistas acreditavam que se gravava diferentes tipos de memória separadamente e em fases distintas do sono. Agora, após a publicação de novos estudos, a ciência passou a saber que é um processo que ocorre sequencialmente, como um todo.
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O ser humano passa por basicamente dois grandes estágios de sono. Existe o chamado não-REM, que é subdivido em 4 fases. E o REM, no qual há uma intensa atividade na massa cinzenta. Assim, as fases se alternam em um ciclo que se repete cerca de cinco vezes a cada noite. Entenda melhor a seguir:
Caracterizado por uma atividade cerebral menos intensa e dividido em:
Na etapa 4, as experiências que o indivíduo viveu durante o dia vão para o hipocampo, um órgão localizado no centro do cérebro. Trata-se de uma região mais primitiva, ligada também às emoções. Dessa forma, é com a ajuda delas que se decide o que é importante fixar.
“Por isso, também dormimos para esquecer tudo que não precisamos reter”, diz Maíra Honorato, médica especialista em sono do Hospital Israelita Albert Einstein.
Depois de todos os estágios acima, o corpo entra no sono REM. Trata-se de uma atividade cerebral bastante acelerada, bem próxima de quando estamos acordados. É aqui que acontecem os sonhos e a completa recuperação da energia gasta durante o dia – essencial para acordarmos dispostos.
Além disso, é no sono REM que as informações apreendidas são enviadas ao neocórtex, uma fina cobertura que recobre a zona externa do cérebro. Ela é responsável por processos cognitivos mais sofisticados, por exemplo a linguagem.
Com a ajuda de um modelo baseado em algoritmos, cientistas americanos simularam a forma como o cérebro revisita os dados mais recentes na fase de ondas lentas do sono. Depois, viram como o órgão acessa as informações mais antigas no sono REM. É nessa sucessão de ciclos que o hipocampo vai ensinando ao neocórtex aquilo que foi aprendido, criando, então, memórias duradouras.
“O artigo confirma o que os estudos já vêm apontando”, diz a especialista. “Para consolidar a memória, é preciso passar por todas as fases do sono”.
A formação de memórias não é só essencial para lembrar o que cada indivíduo viveu, mas também para o aprendizado e para o desenvolvimento de novas habilidades – desde tocar um instrumento, até uma nova língua.
Além disso, os especialistas explicam que não adianta recuperar as horas perdidas no fim de semana ou nas férias. É um processo que precisa ser diário. Daí a importância de seguir bons hábitos ao se deitar, com horários regulares para ir para a cama e ficar longe das telas antes de dormir.
Fontes: Agência Einstein e site da Faculdade de Medicina da UFMG.