A pressão arterial indica a força com que o sangue circula nas artérias. Manter esse valor sob controle é essencial para evitar complicações como doenças cardíacas, AVC e insuficiência renal.
Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025, medir a pressão regularmente é a forma mais segura de identificar precocemente a hipertensão, uma condição que atinge cerca de um terço da população adulta brasileira e costuma não apresentar sintomas.
Mesmo pessoas que se sentem bem devem realizar a aferição com frequência — afinal, a hipertensão é silenciosa e pode se desenvolver ao longo dos anos, sem que haja sinais ou sintomas perceptíveis.
A aferição deve ser realizada por profissionais capacitados, utilizando equipamentos como os esfigmomanômetros – popularmente conhecidos como “medidores de pressão”.
A aferição mais precisa é feita com medidores que vão acima do cotovelo, pois são mais confiáveis do que os que medem no pulso. O uso de equipamentos automáticos de braço é recomendado para reduzir erros e facilitar a obtenção da pressão arterial.
Para garantir a exatidão da medida, siga algumas etapas:
1. repousar por 5 minutos antes da aferição, sem falar ou se mover.
2. sentar-se com as costas apoiadas, pés no chão e braço na altura do coração.
3. evitar café, cigarro ou exercício físico 30 minutos antes do exame.
4. utilizar o equipamento no tamanho correto para o seu braço.
5. realizar três medidas, com intervalo de 1 minuto entre cada uma, e usar a média das duas últimas. Ou seja, some os dois últimos resultados e divida por 2.
A pressão arterial é considerada alta quando o número indicado na parte de cima (pressão sistólica) é 140 mmHg ou mais, e/ou o número de baixo (pressão diastólica) é 90 mmHg ou mais, em pelo menos duas medições diferentes.
Já existem dispositivos, como anéis e relógios inteligentes, que prometem aferir a pressão arterial sem o uso do manguito – bolsa que se enche de ar ao redor do braço em medidores convencionais.
No entanto, essas medições ainda não são confiáveis, pois exigem calibração frequente e podem ter grande variação nos resultados conforme o movimento do corpo.
Por isso, os valores obtidos por esses aparelhos devem ser interpretados com cautela e nunca substituir a medição feita com o esfigmomanômetro de braço, que é o método padrão e mais preciso.
Além da aferição feita no consultório, existem outros métodos que ajudam a confirmar o diagnóstico e acompanhar o controle da pressão:
Esses métodos ajudam a detectar situações como hipertensão mascarada (pressão normal no consultório, mas alta fora dele) e o efeito do avental branco (pressão alta apenas durante a consulta).
A aferição regular é uma ferramenta de prevenção e autocuidado. Ela permite reconhecer variações precoces e iniciar o tratamento no momento certo, evitando complicações cardiovasculares.
E o apoio profissional é indispensável para identificar questões específicas e orientar cada pessoa de forma individualizada. Em caso de dúvidas, procure por especialistas para uma avaliação completa.
Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, Mota-Gomes MA, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq. Bras. Cardiol. 2025;122(9):e20250624.
Disponível em: https://abccardiol.org/article/diretriz-brasileira-de-hipertensao-arterial-2025/