Sonoendoscopia: conheça o exame que diagnostica a apneia do sono

18 de março, 2022

Você sabia que a população mundial passa, em média, um terço de suas vidas dormindo? Mais do que isso: a má qualidade do sono está estreitamente ligada a patologias como a apneia obstrutiva do sono. Para diagnosticar a condição, um dos exames indicados é a sonoendoscopia, um procedimento que avalia o comportamento da via aérea superior enquanto o paciente dorme.

A apneia obstrutiva do sono atinge cerca de 33% da população da cidade de São Paulo, de acordo com um estudo do Departamento de Psicobiologia da UNIFESP. A doença é caracterizada pela obstrução – parcial ou completa – das vias aéreas superiores durante o sono, provocando roncos e apneias. Se não receber o tratamento adequado, pode desencadear problemas cardíacos, diabetes, insuficiência respiratória, derrame e pressão alta

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O que é apneia obstrutiva do sono?

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada pela obstrução das vias respiratórias enquanto o indivíduo está dormindo, gerando repetidas paradas temporárias na respiração. Como resultado, o sono é interrompido inúmeras vezes pela falta de oxigênio no corpo, provocando cansaço e sonolência diurna. Outros sintomas comuns são:

  • Ronco excessivo, além de despertares noturnos por engasgo;
  • Falta de memória;
  • Problemas de concentração;
  • Irritabilidade;
  • Alterações de humor;
  • Crises frequentes de dor de cabeça.

De acordo com uma pesquisa da UNIFESP, a doença tem maior incidência em pessoas a partir dos 50 anos, em sua maioria homens, com índice de massa corpórea elevado, além de alterações faciais, como o indivíduo que tem o queixo mais recuado, língua volumosa e amígdalas aumentadas, por exemplo. 

Como a sonoendoscopia é feita?

A sonoendoscopia tem duração de aproximadamente 30 minutos. Para realizá-la, o paciente precisa fazer jejum de oito horas antes do início do exame. Dessa forma, logo após a administração do anestésico de rápida indução do sono, é inserido, via nasal, uma fibra fina com uma microcâmera que avalia por meio de um sistema de vídeo as estruturas da via aérea superior enquanto o paciente dorme.

O exame foca, sobretudo, em três regiões principais: faringe, base de língua e epiglote. A partir daí, são avaliadas as áreas de estreitamento que resultam na apneia obstrutiva do sono. O paciente é liberado para as suas atividades logo após o término do exame, mas é obrigatório que esteja com um acompanhante.

Quem deve fazer a sonoendoscopia?

A sonoendoscopia é uma ferramenta diagnóstica que auxilia na conduta terapêutica da apneia obstrutiva do sono. Dessa forma, é indicada para avaliação pré-cirúrgica de procedimentos faríngeos ou esqueléticos. Por isso, pode auxiliar na tomada de decisão cirúrgica; simulação ou teste da eficiência do aparelho intra-oral (aparelho que interioriza a mandíbula confeccionado por dentistas especializados); ou quando a utilização do CPAP (que é um aparelho usado para emitir o ar com pressão para manter a via aérea do paciente aberta) não foi suficiente para mitigar os casos de apneia.

Os riscos da apneia obstrutiva do sono

De acordo com o Dr. Danilo Sguillar, otorrinolaringologista e médico do sono da Beneficência Portuguesa de São Paulo, indivíduos acometidos por apneia obstrutiva têm maior propensão para quadros cardiovasculares e metabólicos. Isso porque a fragmentação do sono e a queda intermitente do oxigênio durante a noite propiciam aumento do bombeamento cardíaco, mecanismos de resistência à insulina e possibilidade de diabetes mellitus do tipo 2. 

“Nesses casos, não adianta um paciente procurar somente um endocrinologista ou cardiologista. Ele também precisa pensar no sono dele. Muitas vezes, as chaves dos problemas estão associadas ao sono em termos quantitativos e qualitativos”, completa o especialista.

Fonte: Dr. Danilo Sguillar, otorrinolaringologista e médico do sono da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

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