Como preservar a fertilidade em pacientes com câncer de mama

22 de outubro, 2021

A questão da diminuição da fertilidade durante o tratamento para o câncer de mama é um assunto que preocupa muitas mulheres. Mais da metade das que estão abaixo dos 40 anos e possuem a doença se preocupa com as chances de engravidar futuramente. Contudo, a ansiedade não é à toa. Embora os tratamentos oncológicos atuem principalmente contra as células tumorais, a fertilidade pode ser afetada no processo. A quimioterapia e a radioterapia, por exemplo, estão associadas a disfunções nos ovários e no desencadeamento de uma menopausa precoce.

Os quimioterápicos do grupo dos agentes alquilantes reduzem em até 90% a densidade folicular — ou a quantidade de folículos por unidade de volume de tecido ovariano — 48 horas após o uso dos medicamentos, segundo a ginecologista especialista em reprodução humana Larissa Matsumoto, da Sociedade Paulista de Ginecologia e Obstetrícia (SOGESP) e da American Society for Reproductive Medicine (ASRM). Isso acontece ainda que a paciente volte a menstruar.

Mesmo sem existir um número exato da incidência de infertilidade após o tratamento de câncer, a especialista ressalta que de 30% a 40% das pacientes com menos de 40 anos submetidas a quimioterapia contra o tumor na mama entrarão em menopausa precoce.

Há, no entanto, medidas para preservar o sistema reprodutor e conservar os óvulos sem prejudicar o tratamento. O importante é buscar apoio: menos de 25% das pacientes recebem orientações para procurar especialistas em reprodução assistida, de acordo com Larissa.

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Fertilidade e câncer de mama: Principais tratamentos

O congelamento de óvulos é uma das opções. Estimulantes injetáveis de ovulação são aplicados diariamente e, ao final do processo, os óvulos são coletados.

“O uso desses estimuladores permite o congelamento de vários óvulos ao mesmo tempo. A coleta é feita por via transvaginal, guiada por ultrassonografia e sob sedação. Leva cerca de 30 minutos e não requer internação hospitalar”, explica Oscar Duarte, ginecologista e membro do European Society of Human Reproduction and Embryology.

Esse procedimento deve ser feito logo após o diagnóstico e antes do início do tratamento com quimio ou radioterapia. Quem definirá o melhor momento será o médico oncologista. O processo leva, em média, 15 dias para ser iniciado e pode ocorrer em qualquer fase do ciclo menstrual.

A segunda técnica mais utilizada é o congelamento de embriões, no qual são usados o sêmen do parceiro ou de um banco de esperma. O crescimento dos folículos é acompanhado por meio de ultrassom e os óvulos captados podem ser congelados (congelamento de óvulos) ou fertilizados (congelamento de embriões).

Também é possível fazer a captação de óvulos imaturos. O método, embora disponível, é pouco utilizado — suas taxas de sucesso são menores em relação aos demais procedimentos. Por outro lado, a captação não exige a estimulação do ovário.

Outra possibilidade é o congelamento do tecido ovariano. A retirada é via laparoscopia, uma técnica cirúrgica minimamente invasiva feita por pequenas incisões na região abdominal. A estrutura é retirada e congelada para, quando a paciente desejar engravidar, ser reimplantada.

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Poréns

A opção por estratégias do tipo exige uma discussão com profissionais, que avaliarão cada caso individualmente. Até porque nem todas as pacientes precisarão passar por técnicas assim.

O descongelamento dos óvulos ou dos embriões e o início da fertilização somente ocorrerão depois da liberação do oncologista e da recuperação total da mulher.

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(Fonte: Agência Einstein)