Exercícios após covid-19: Pode voltar aos treinos?

Bem-estar Movimento
19 de Janeiro, 2022
Exercícios após covid-19: Pode voltar aos treinos?

Recentemente, foi decretado a reabertura das academias por conta da pandemia e as pessoas estão cada vez mais voltando à rotina fitness. No entanto, quem se recuperou pode ter a dúvida sobre os exercícios após covid-19: realmente é seguro retomar a prática de exercícios físico?

Para quem se recuperou recentemente do coronavírus, voltar a treinar pode ser um grande desafio. Isso porque ainda há muitas incertezas sobre essa doença, o que gera angústia e medo na população. Praticar exercícios físicos após se recuperar totalmente é o recomendado. Contudo, os sintomas e o nível de impacto sobre o corpo variam, então, a maneira de voltar aos treinos também pode variar.

Segundo estudos, há indícios de que os infectados com o coronavírus podem ter uma incidência muito maior de problemas cardíacos. Entretanto, os riscos reais são difíceis de avaliar, uma vez que ainda há muitas dúvidas a respeito da doença. Por isso, é imprescindível buscar um médico antes de voltar a treinar. Assim, ele irá avaliar o seu quadro e decidir quanto tempo você deve se manter em repouso. 

Além disso, o Instituto de Medicina Esportiva do Hospital for Special Surgery (HSS), em Nova York, publicou recentemente um conjunto de diretrizes que devem ser seguidas por quem deseja retornar aos exercícios após se recuperar do COVID-19.

Leia também: Exercícios físicos ajudam a prevenir complicações do coronavírus

Exercícios após covid-19: cuidado com o coração

De acordo com Marcelo Bichels Leitão, cardiologista especialista em Medicina do Exercício e do Esporte, a sequela mais preocupante é a miocardite, uma inflamação da musculatura do coração. Embora afete menos de 5% dos indivíduos que tiveram covid-19, segundo estima o especialista, isso não é sinônimo de falta de perigo.

“São situações importantes porque o coração é um órgão vital. Um comprometimento gera repercussões graves à saúde, e pode colocar a pessoa em risco de vida”, explica Leitão, que também é diretor científico da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

Se o indivíduo desenvolve uma miocardite aguda, por exemplo, os exercícios físicos podem ser um gatilho para aumentar o risco de arritmia. “Há um risco também de intensificar a reação inflamatória, e evoluir para um quadro de insuficiência cardíaca. Além disso, pode intensificar a isquemia, pois fazer exercício aumenta a necessidade de oxigênio no músculo cardíaco, para bombear mais sangue”, alerta o especialista.

Exercícios permitidos

Segundo a educadora física Bianca Pichirilli, formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), é fundamental não voltar ao treino com o mesmo ritmo de antes. Além disso, pessoas que tiveram sintomas mais graves, como diminuição na potência respiratória, devem retomar com poucos estímulos de treinos aeróbicos.

“O que irá definir o método de treino é o quanto houve de debilidade no corpo, por conta do vírus. Assim, para as pessoas que tiveram um nível leve dos sintomas e já se sentem bem, não há problemas em voltar com alta intensidade” explica a especialista.

Além disso, existe a chance de se lesionar devido ao excesso de exercícios após um longo período de tempo. Por isso, é importante reduzir o tempo das sessões de treino e a intensidade dos treinamentos. Após duas semanas a um mês, o corpo começa a retornar ao seu rendimento físico anterior.

Dito isso, você pode começar com atividades leves e curtas com duração de 20 minutos. Observe o seu corpo e suas reações, caso se sinta mal ou sinta falta de ar, faça exercícios leves. Mas se você estiver se sentindo bem, vá aumentando a intensidade com o tempo.

Exercícios após covid-19: cansaço excessivo

“Muitas vezes, a pessoa se sente cansada para esforços básicos, mas ela não sabe se é apenas falta de condicionamento ou um comprometimento do pulmão ou do coração. Ela se sente insegura e desiste de fazer atividade física, e o sedentarismo só piora a condição. Por isso, é importante consultar um médico e realizar os exames, para estabelecer os limites de intensidade e volume do exercício”, ressalta Leitão.

Segundo o especialista, se os exames não apresentarem lesões cardíacas, é possível liberar de imediato a volta progressiva às atividades físicas não competitivas. Em casos mais graves, é indicado que se faça uma reavaliação médica depois de 30 dias (para os atletas) ou 60 dias (para quem se exercita de forma recreativa).


Fonte: Bianca Pichirilli – educadora física formada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR); Agência Einstein.

Sobre o autor

Julia Moraes
Jornalista e repórter da Vitat. Especialista em fitness, saúde mental e emocional.

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